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Poesias

Démodé

Qualquer dor que sufoca
acaba virando grito fora de hora.

Ele ecoa intempestivo,
incompreensível.
Ele vaga solitário entre buzinas,
roncos e
gargalhadas.

E então se cala.

Percebe sua existência vazia,
seu despropósito.

Tudo culpa do tempo.

Se não fosse sufocado,
seria legítimo,
todos o entenderiam
e iriam ao seu encontro.

Teria tido um objetivo de ser:
chamar o socorro,
mostrar o perigo,
revelar a dor.

Mas agora o passear dos ponteiros
roubou-lhe o sentido.

Se a dor ainda existe, não importa.

Ele está fora de contexto.

É apenas mais uma loucura
a aturdir os transeuntes,
e, como tudo que é guardado tempo demais,
acabou se tornando apenas
démodé.


Poema publicado na Antologia poética Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - edição 2012.

Bárbara Sanco
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