Site da rede
Artistasgauchos.com.br
artistasgauchos.com.br

Poesias

Declaração do fim do inverno

Ontem eu era poeira do tempo

A esperar que o vento me guiasse

Viajei sobre florestas e desertos

Fui tijolo e sinal de desleixo

Fui pedra, cristal, praia e pó

Foi quando acostumei-me a vida da ampulheta

A mesma rotina a deixar que os grãos contassem os segundos

Nessa época não havia mais esperança ou beleza
E o amor era apenas um sonho esquecido
Em alguma cama de almofadas vermelhas

Então você apareceu e nada mais fez sentido

As certezas fugiram de mim

Um coração adormecido voltou a pulsar sem controle
Denunciando a existência de vazios antes preenchidos por solidão

E surge a dor da espera e o medo da incerteza
E de mãos dadas com elas o desejo
Não há paraíso, não há proteção

Eu que era um ser de razão, forjado pela dor
Aguardo nova identidade

Perdi a batalha de tentar acreditar
Em minhas verdades inventadas

Inicio nova jornada

Estão sendo jogadas tintas de aquarela
Em realidades de lógicas escritas com negro crayon

O amor muda tudo

E se ele existe então sua história aguarda por ser escrita

Por duas almas aproximadas por laços brancos de amizade primeira e pura

E agora lançadas a enfrentar a construção
De seu próprio destino
Completamente incerto
E definitivamente irresistível

Mas talvez seja apenas a natureza a dizer:
- Maktub!

E que venha então a Primavera...


Publicado em Gandavos.

Bárbara Sanco
20/09/2012