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Crônicas

E se as sombrinhas se revoltarem?

Pensando sobre para onde vão os objetos perdidos lembrei que quando criança detestava minhas sombrinhas e tentava perde-las, muitas vezes sem sucesso.
Na escola, a servente que limpava minha sala corria chamando meu nome e empunhando aquele estampadinho floral com cabinho metálico escolhido pela minha mãe e lá se ia minha tentativa de desfazer-me dela.
No ônibus era mais fácil eu escondia embaixo do banco e poucas vezes alguém via a tempo de me devolver.
Foram tantas armações, feitas para me proteger da chuva, que escondi para tentar perder, que me deu agora uma espécie de medo.
E se elas estiverem todas em algum lugar ressentidas pelo meu desprezo?
Será que com a chegada do verão planejam esconder de mim o Sol como vingança? Espero que não.
Em algum buraco de Alice, devem estar fazendo companhias, para minhas sombrinhas perdidas, as fotos que guardei e nunca mais achei e com certeza muitas tarrachinhas de brinco que criam pernas e se aposentam ou são levadas por duendes. Sei lá!
Pergunto-me não só para onde vão os objetos perdidos, mas também se eles se sentem abandonados e vou me enchendo de arrependimentos.
Prometo nunca mais abandonar minhas sombrinhas.

06/09/2012



Publicado no Recanto das Letras.

Bárbara Sanco
26/11/2016